A creatina (ácido α-metil guanidino acético) é uma amina de ocorrência natural
sintetizada endogenamente pelo fígado, rins e pâncreas, a partir dos
aminoácidos glicina e arginina. Pode também ser obtida via alimentação,
especialmente pelo consumo de carne vermelha e peixes.
Desde que foi demonstrado que a suplementação de creatina promove
aumento de 20% nas concentrações de creatina muscular, diversos estudos
passaram a investigar o efeito dessa suplementação no rendimento físico-
esportivo .
Existem indícios, no entanto, que mesmo na ausência de treinamento de força,
a suplementação de creatina poderia ter um efeito benéfico na força muscular,
mediado por diversos mecanismos, tais como: i) aumento dos conteúdos
intramusculares de fosforilcreatina; ii) aumento da velocidade de regeneração
de fosforilcreatina durante o exercício; iii) melhora na atividade da via glicolítica
pelo tamponamento de íons H + ; iv) diminuição do tempo de relaxamento no
processo contração-relaxamento da musculatura esquelética, em decorrência
da melhora na atividade da bomba sarcoendoplasmática de cálcio; e v)
aumento da concentração de glicogênio muscular (2,7,25,26,27) . Comparados aos
demais, os dois primeiros fatores são aqueles que, teoricamente, mais
explicariam a melhora aguda de desempenho.
Arciero et al. realizaram um interessante estudo com o intuito de quantificar as
diferenças entre os efeitos diretos e indiretos (combinados ao treinamento de
força) da suplementação de creatina. Os autores dividiram os sujeitos em dois
grupos: apenas suplementados com creatina ou suplementados com creatina e
submetidos a treinamento de força. Ao final de 4 semanas, foi verificado que o
primeiro grupo apresentou aumentos de força dinâmica máxima no supino (8%)
e leg press (16%), enquanto que o segundo grupo demonstrou aumento
nessas mesmas variáveis de 18 e 42%, respectivamente. Diante desses
achados, Arciero et al. sugerem que cerca 40% do aumento de força no grupo
treinado e suplementado se deva aos efeitos agudos da suplementação de

creatina, sendo o restante devido a mecanismos mediados pelo treinamento.
Embora seja uma estimativa indireta, já que se baseia em meros cálculos
percentuais, esse estudo tem o mérito de ser o primeiro e, ao nosso
conhecimento, o único a buscar diferenciar os efeitos per se da creatina
daqueles combinados ao treinamento de força.
Alternativamente, considera-se que a suplementação de creatina parece
ter grande efeito sobre o aumento no volume de treinamento, como
evidenciado em alguns estudos. De acordo com esses estudos, a creatina
possibilitaria que o sujeito desempenhasse mais repetições com a mesma
carga, o que poderia se traduzir em maiores ganhos de massa magra num
programa de treinamento de longo prazo. Uma grande evidência que suporta
essa hipótese vem do estudo de Syrotuik et al. Esses autores relataram que
sujeitos que receberam creatina, mas que desempenharam a mesma carga
absoluta que o grupo placebo (apesar de serem capazes de levantar maiores
cargas), apresentaram as mesmas respostas para força e hipertrofia, indicando
que os benefícios advindos da creatina são associados ao aumento do volume
de treinamento. Dessa forma, esses estudos sugerem que os efeitos da
suplementação de creatina sobre a hipertrofia são dependentes da capacidade
desse suplemento em aumentar o volume de treino.

Fonte: Gualano B, Acquesta FM, Ugrinowitsch C, Tricoli V , Serrão JC, Lancha Junior AH.

EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DE CREATINA SOBRE FORÇA E HIPERTROFIA
MUSCULAR: ATUALIZAÇÕES

Elaborado por Nutricionista Bruna Champe CRN-12657

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