É possível transformar gordura em músculo?

Infelizmente isso não é possível. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam quando começam a realizar exercícios, nosso corpo não consegue transformar gordura em massa muscular. No entanto, quando o treino e a alimentação estão adequados, é possível perder gordura e ao mesmo tempo ganhar massa muscular.

Para que isso ocorra é necessário que sejam respeitadas duas condições:

1° – Que o indivíduo se encontre em déficit energético, seja por aumento do gasto energético ou pela redução da ingestão calórica total, pois só assim é possível mobilizar os estoques de gordura para serem utilizados como fonte de energia.

2° – Que o individuo apresente um balanço nitrogenado positivo, ou seja, que relação de síntese de proteínas seja maior do que a degradação de proteínas, pois somente desta forma é possível o ganho de massa muscular.

Entretanto, é preciso ter atenção pois o estado de déficit energético tende a aumentar a degradação de proteínas e dificultar, ou até mesmo inviabilizar, a condição de balanço nitrogenado positivo, comprometendo o ganho de massa muscular.

Então para que as duas condições ocorram de forma simultânea, tendo em vista que uma não anula a outra, é fundamental que o estímulo adequado para síntese proteica seja dado através do exercício e a matéria prima necessária para que ocorra esta síntese (proteínas e carboidratos) seja fornecida adequadamente através da dieta. Tanto o tipo, quanto a intensidade do treinamento, assim como a distribuição de nutrientes da dieta são igualmente fundamentais para perda de gordura e ganho de massa magra.

Longland et al, avaliaram as mudanças na composição corporal de homens jovens adultos com a manipulação de proteínas durante uma dieta com déficit calórico acentuado (em torno de 40% de redução calórica) aliado a uma rotina de treinamento físico intenso por 4 semanas. O grupo que consumiu uma quantidade mais elevada de proteína na dieta (2,4g/kg contra 1,2g/kg no grupo controle) além de perder mais gordura durante o período do estudo, também apresentou aumento significativo na massa muscular, em média 1,2kg, enquanto o grupo controle apenas se manteve mesma faixa em que iniciaram o estudo.

Este estudo nos mostra que o consumo mais elevado de proteínas em um ambiente de déficit energético possui um efeito poupador na degradação de proteínas, assim como, possibilita uma maior mobilização de gordura para que possa ser utilizada como de fonte de energia não apenas para os órgãos e tecidos, mas também para síntese de proteínas musculares.

Elaborado pelo estagiário de nutrição Bruno Mantero

Contatos: email: [email protected] –   instagram: bruno_mantero

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