Esteróides Anabolizantes Androgênicos

Olá pessoal, este artigo é sobre um assunto muito polêmico e que traz curiosidade para muitas pessoas.

Já adianto que a leitura irá conter muitos termos técnicos que talvez se você que está lendo não é da área da saúde, possa ter um pouco de dificuldade para entender, mas se continuar lendo até o final, vai conseguir compreender a mensagem que o artigo quer passar.

Por ser um assunto mais difícil, fiquem à vontade para trazer as dúvidas de vocês, mande pela caixa de comentários que está logo abaixo, ou nos procure nas redes sociais.

Uma boa leitura à todos!

CONTEÚDO CIENTÍFICO

A testosterona (TE) é o mais potente hormônio esteroide anabólico androgênico secretado pelo nosso organismo. Ela é sintetizada a partir do colesterol, e seu papel é estimular o crescimento muscular, ósseo, promover as características sexuais masculinas, aumentar a força, a libido e a agressividade. Produzida nas células de Leydig (encontradas apenas nos testículos), suas concentrações circulantes são em média 10 a 30x maiores nos homens. Nas mulheres, ela é também produzida nos ovários e na zona reticular do córtex da adrenal. No músculo esquelético, ela estimula a síntese (efeito anabólico) e inibe a degradação proteica (efeito anticatabólico). Combinados, esses efeitos contribuem para a hipertrofia do tecido e possíveis decorrentes ganhos de força e potência.

Vale lembrar que nem todo hormônio esteroide é anabolizante: o colesterol, por exemplo, também é um hormônio esteroide, mas não possui ação anabólica, e sim catabólica.

Os esteroides anabolizantes androgênicos (EAA) são derivações sintéticas da TE (testosterona). Eles podem ser administrados através do consumo oral, injeção intramuscular ou gel transdérmico, sendo utilizados no âmbito clínico para o tratamento de doenças como anemia, HIV, queimaduras, pós operatório, osteoporose, distúrbios hormonais como o hipogonadismo, distrofias musculares, sarcopenias, câncer de mama, osteoporose, retardos do crescimento, entre outras.

Os EAA podem ter muitas propriedades ergogênicas como a hipertrofia muscular, aumento da força, potência e resistência, lipólise (quebra de gordura), aumento da massa cardíaca, otimização da recuperação entre as sessões, aumento da densidade mineral óssea e dos estoques de glicogênio, melhoras na capacidade de transmissão neural, eritropoiese (produção de hemácias), maior tolerância a dor e aumento da agressividade. Os efeitos dos EAA sobre o desempenho ocorrem via metabolismo da testosterona, cujos efeitos são mediados pela interação com seu receptor androgênico. Apesar de amplamente utilizada de forma ilícita para o desempenho esportivo e fins estéticos, a testosterona é considerada como um fraco EAA. Quando ingerida via oral, é rapidamente degradada, e apenas uma pequena porção alcança a circulação sistêmica. Quando injetada – também devido a sua rápida degradação -, os níveis efetivos da droga também não são sustentados.

Por volta de 1970, os efeitos anabólicos dos EAA foram descobertos pelos bodybuilders e demais atletas, que então passaram a abusar dos mesmos. Entretanto, estudo realizado por Pope et al. relatam que atualmente a maioria dos usuários de EAA não são atletas competitivos, mas sim praticantes de atividades físicas recreacionais que buscam melhorar apenas a sua parte estética. Na tentativa de ganhar músculos e perder gordura corporal, os usuários chegam a usar doses suprafisiológicas de EAA e combinações com outras substâncias, como o hormônio do crescimento (GH), a insulina, clembuterol, hormônios tireoidianos, anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) e corticoides.

Tal abuso dos EAA pode decorrer do fato de que, durante as últimas décadas, a imagem idealizada para um corpo masculino mudou para um corpo com maior desenvolvimento muscular, como o de competidores bodybuilders, modelos fitness, bonecos de brinquedos e filmes com personagens musculosos.

Quando comparado o uso dos EAA entre os profissionais da saúde, o consumo maior foi entre os estudantes e professores de Educação Física, um fato alarmante que revela, talvez, o pouco conhecimento sobre os efeitos colaterais do uso não terapêutico de tais substâncias e/ou a total negligência por parte desses profissionais, que deveriam agir como promotores e não depreciadores da saúde da população. Com a criação dos EAA, as subsequentes modificações nas suas estruturas resultaram em alterações na razão anabólico/androgênico, mas também aumentaram os potenciais efeitos colaterais que podem ocorrer em resposta ao seu uso. Conforme novas drogas têm sido desenvolvidas, diferentes métodos de administração vêm sendo propostos. Todavia, nenhuma droga é 100% segura, e os EAA não fogem à regra. Os efeitos colaterais associados ao uso ilícito dos EAA são inúmeros, e alguns deles ainda não são totalmente conhecidos.

Dentre os vários efeitos adversos do uso dos EAA a longo prazo está o elevado risco de ruptura dos tendões. Os andrógenos aumentam a massa e a força do músculo esquelético, e essas adaptações musculares ocorrem mais rapidamente quando comparadas às adaptações nos tecidos conjuntivos. Assim sendo, os tendões podem não estar preparados para suportar a pressão exercida pelos músculos então mais fortes, fazendo com que a combinação de EAA e treinamento resistido esteja associada a um alto risco de lesões nos tendões. Há relatos que o uso de EAA influencia negativamente no metabolismo do colágeno tipo I, e, adicionalmente, estudos em modelos animais demonstraram que o uso de EAA levou a displasia do colágeno, fazendo com que os tendões se tonassem mais rígidos e menos flexíveis.

Fonte: LOSCHI, Rodrigo; IDE, Neme Bernardo: Androgenic anabolic steroids: mechanisms of action and possible side effects.  Rev Bras Nutr Func; 41(76), 2018. doi: 10.32809/2176-4522.41.76.23

Elaborado por Nutricionista Bruna Champe CRN-12657

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