Obesidade e Testosterona

O ganho de peso excessivo pode afetar negativamente a produção de testosterona no homem, que por sua vez favorece ainda mais o ganho de peso e dificulta o emagrecimento criando um ciclo que se retroalimenta.

A obesidade pode ser caracterizada por um estado de inflamatório crônico e sub-clínico. O excesso de tecido adiposo produz uma série de citocinas inflamatórias que prejudicam o funcionamento adequado de diversos hormônios em nosso metabolismo, um exemplo bem conhecido é da insulina que ao ter sua sinalização prejudicada diminui a sensibilidade da célula para sua ação podendo evoluir para diabetes e síndrome metabólica.

Estas citocinas também atuam em 2 regiões do nosso cérebro chamadas de hipotálamo e hipófise, onde são produzidos os sinalizadores para produção dos hormônios, prejudicando a secreção de GnRH e LH, hormônios responsáveis por estimular a produção de testosterona. Com a secreção de GnRH e LH prejudicadas, o testículo do homem passa a produzir menos testosterona.

Nos homens, parte da testosterona produzida é convertida em Estrogênio (cerca de 5% em homens saudáveis) e também em DHT (uma forma mais potente da testosterona). A conversão da testosterona em estrogênio ocorre através da ação de uma enzima chamada aromatase. Esta enzima pode ser encontrada muito facilmente no tecido adiposo, ou seja, quanto maior o volume de tecido adiposo, maior a quantidade de enzimas que convertem testosterona em estrogênio, o que reduz ainda mais os níveis de testosterona disponíveis.

Este excesso de estrogênio gera uma sinalização lá naquela região do cérebro chamada de hipotálamo e hipófise para reduzir ainda mais a produção daqueles hormônios sinalizadores (GnRH, LH e FSH), o que novamente resulta em menos testosterona.

A perda de peso além de melhorar a sensibilidade a insulina e reduzir o risco de doenças crônicas como diabetes e doenças relacionados ao coração, tende a normalizar os níveis de testosterona, melhorando também o humor, a libido e a qualidade de vida do paciente como um todo.

Referências:
– Fui MN, Dupuis P, Grossmann M. Lowered testosterone in male obesity: mechanisms, morbidity and management. Asian J Androl. 2014;16(2):223-231. doi:10.4103/1008-682X.122365
– Kelly DM, Jones TH. Testosterone and obesity. Obes Rev. 2015;16(7):581-606. doi:10.1111/obr.12282
– Haluch CE. Testosterona: fisiologia, estética e saúde. 1° edição. Curitiba. 2020

 

 Elaborado pelo estagiário de nutrição Bruno Mantero

Contatos: email: [email protected] –   instagram: bruno_mantero

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